Ainda do hospital...

5.2.07
Enquanto lá estava na sala de espera entrou um rapaz vitima de acidente. Um rapaz novo. Não o vi. Via a mãe a tia (pela conversa percebi quem eram) andarem aflitas à procura de informações. De vez em quando lá vinham os guardas (gnr) ter com ela. Um senhor falou com um guarda e quis saber quem era a mãe do rapaz. Foram apresentados, trocaram telefones, falaram do acidente. O senhor pertencia ao acidente. Estava bem. O rapaz não. Ouvia elas falarem qualquer coisa sobre a cabeça e o nariz. De vez em quando choravam. E andavam sempre de volta do balcão de informações. O meu coração começou a apertar. Ouvi uma delas dizer qualquer coisa do género: "Já sabes como as pessoas são. Não lhe aconteceu nada a ele e agora vão culpá-lo.". Percebi que tinha a ver com o tal senhor. É verdade, naquelas horas arranja-se sempre alguém para descarregar tudo. Não percebi quem tinha tido culpa no acidente. Entretanto chegaram dois rapazes. Um deles pareceu-me ser irmão e o outro amigo. Ali ficaram à espera de saber alguma coisa. Nunca ninguém se chegou a eles. Mais tarde, os dois guardas foram ter com elas e aí só se ouviram os gritos da mãe. Eles foram-se embora. E nós ouvíamos, que não podia ser, que era mentira. O meu coração apertou tanto, foi impossível reter as lágrimas. A mim e a quase todos naquela sala de espera. O rapaz tinha morrido. Passado um bocado o irmão chegou da rua e confirmou a noticia à mãe. Foi horrível. A dor de perder um pai cedo e inesperadamente é imensa, eu sei; não sei qual a dor de perder um filho, não consigo imaginar o que aquela senhora sentiu na altura. Mas sei que não é facil, não é nada fácil. E por momentos, senti exactamente o mesmo que no dia 29 de Setembro de 1999.
E até eu sair dali, nenhum médico, nem ninguém foi falar com a senhora.

Eu odeio ir a hospitais, odeio mesmo.

4 desabafos:

cá-cá (Portugal) disse...

Como compreendo... eu só de observar ficava em lágrimas, tenho a certeza!! Bjs, as melhoras!

The Star disse...

Se a ida aos hospitais já não é nada agradável, presenciar uma cena desta natureza deve ser horrível.
Nunca assisti a tal, mas não o desejo a ninguém... :(

cumixoso disse...

Pensem... voces são médicos, enfermeiros ou bombiros... queriam ser voces a dizer a uma Mãe, Pai, Filho ou Amigo que aquela pessoa tinha morrido? Eu não, de certeza! ou como uma vizinha minha que soube que o Pai, internado no IPO tinha falecido, por telegrama...

Movimento Pela Net Mais Barata disse...

Nunca é fácil viver estes momentos mesmo quando não estamos envolvidos, temos de aprender a aceitar que a vida e a morte são naturais.
Bjs